quarta-feira, 8 de junho de 2011

SONHOS (Mauro Luis Iasi)


Poema enviado pela Profª. Drª. Silvana Calvo Tuleski, supervisora do Projeto de Orientação Profissional e professora da Universidade Estadual de Maringá. 



Segue um poema, revolucionário para refletir:



SONHOS (Mauro Luis Iasi)


Ás vezes sonho incoerências
em desalinho com meu tempo pequeno.
Sonhos, assim, despudoradamente humanos.
Sonhos, assim, desavergonhadamente felizes.
Ainda que a cidade triste desautorize,
ainda que as fábricas ergam seus muros cinzas
onde guardam minha classe da luz do dia
e roubam seus corpos das carícias da noite.
Sonho subversivamente desperto
que meu sonho está ali bem perto,
tanto que sinto cheiros descabidos
e minha boca antecipa o gosto dos delírios
como fossem pães recém-nascidos.
Sonho desavisadamente alegre
com uma casa de janelas amplas
com jardins e flores e plantas
e discos e filmes e livros
e tanta sede e fome tanta
que em qualquer fruta a ceia é santa.
Sonho que nos relógios quebrados e inúteis
as aranhas amarelas fazem com calma suas casas
e em dias longos e quentes
ex-lagartas apaixonadas estreiam suas novas asas.
Sonho que o mar fica ali em frente
onde as ondas e as horas inquietas
martelam as costas cansadas do continente
e na pele de praia do planeta, a areia
tritura seus minúsculos náufragos
num contínuo mastigar de conchas e dentes.
Sonho, então, que caminhas... linda... pela praia
e nosso cão te acompanha alegre
e você é tão feliz... tão feliz ... tão feliz que quase esquece
de toda a pré-história da humanidade,
da trajédia dos séculos e da miséria destes anos
em que andamos, por tanto tempo, militando.
Militando e sonhando que lutamos.
Lutando e militando porque sonhamos
que o mundo pode ser, enfim, a casa onde moraremos
sonhando, para sempre, que nos amamos.



IASI, Mauros Luis. Meta amor fases. Coletânea de poemas. São Paulo:Expressão Popular, 2008.

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